Sobre

Blog do CIATE - Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior - voltado para quem quer aprender mais sobre cultura, costumes e curiosidades do Japão.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Chá verde - história e cerimônia




Após a ida a China, no século IX, o monge budista Eichu (永忠) conheceu o chá de infusão (団茶, dancha), responsável por trazer a erva ao Japão. Esta erva era conhecida na China desde o período da Dinastia Han Oriental (25-220 DC). A princípio, o costume de beber chá, estava relacionada a área medicinal e por razão de luxo, pois a mesma era importada da China.

 

Já no século XII surge um novo tipo, conhecido como (matcha, 抹茶), feito da planta chamada Camellia sinensis, trazido ao Japão por Eisai, monge japonês também retornado da China. Este novo produto é mais forte, considerado como chá-verde, sendo extraído da planta de chá-preto, comumente utilizado em rituais nos templos budistas. No século XIII, o ato de beber este chá estava difundido entre os samurais, sendo um dos maiores responsáveis pela disseminação da prática, como também entre os sacerdotes de Zen e a classe superior, chegando a comunidades rurais.

Surge então, a cerimônia do chá, conhecia como "chanoyu". Esta prática propõe alcançar a “paz numa xícara de chá”, caracterizando-se por servir e beber o “matcha”, chá verde pulverizado. Os mestres que realizam este ato se dedicam à difusão da filosofia do chá, o ritual, a concentração, o desenvolvimento rítmico da cerimônia do chá levam a meditação, tranquilidade e a paz superior.

 

No fim do século XV, Murata Juko, dominou a arte da “Chanoyu” e propôs outro tipo de chá cerimonial, denominado “wabicha”, realizado em salas pequenas, utilizando poucos utensílios, grande maioria de fabricação doméstica. Em seguida, no final do século XVI, período de Momoyama, o monge Sen-no-Rikyu, foi responsável por estabelecer a estrutura definitiva para a cerimônia do chá. O “wabicha” prega o espírito “wabi” (desprendimento, eliminação do supérfluo, simplicidade), para a cerimônia de chá que, ao longo dos anos, também se tornara a essência da arte japonesa.

 





Significado da Cerimônia do Chá Japonesa – “Chado”
“Chanoyu” - a cerimônia do chá japonesa não consiste em apenas servir o chá verde (bancha) aos convidados. Na verdade é uma Arte Japonesa, muito profunda. Como tudo no Japão, existem mil detalhes, como os antigos japoneses adoravam. A filosofia da cerimônia está oculta em cada gesto, desde o preparo do chá até a hora de servi-lo.


Tudo começou com os monges zen budistas, que foram os primeiros a utilizar o chá verde, no século 12, introduzindo o consumo do chá no Japão.
Mas quem transformou em arte foi Sen Rikkyu (1522-1591). A partir dele originaram-se os três principais estilos de chanoyu: as escolas Omotesenke, Mushakojisenke e Urasenke.


A sequência de gestos é realizada pelos mestres e aprendizes que fazem a cerimônia. O preparo da bebida e o ato de servir têm um significado espiritual, ao qual se dá o nome de chado, ou caminho do chá, que tem três princípios básicos: todos são iguais, respeito ao outro e gratidão por aquele que prepara o chá.


Em média uma cerimônia dura 40 minutos, mas em alguns casos pode chegar a 4 horas. O tempo se alonga se for considerado o início da cerimônia, quando ocorre a caminhada por um jardim de pedras tipicamente japonês. O ponto alto acontece quando os participantes compartilham o momento de tomar a bebida.


Por volta do século XVI, tomar chá se popularizou, chegando a atingir todas as camadas sociais do Japão. Sen no Rikyu, um dos maiores destaques na história da cerimônia do chá, seguido pelo seu mestre, Takeno Jōō, de acordo com a filosofia ichi-go ichi-e, cada cerimônia do chá é única, e nunca poderá ser reproduzida. Seus ensinamentos foram responsáveis pelo desenvolvimento de novos estilos arquitetonicos japoneses, como Jardins, Arte e todo o desenvolvimento e criação da cerimônia do chá. E os ensinamentos resistem até hoje.


Ichi-go traz em seu significado toda a vida de uma pessoa, desde o seu nascimento até a sua morte e Ichi-e, que literalmente representa “encontro único”, implica que os encontros entre as pessoas ocorrem uma única vez na vida e jamais se repetirão da mesma forma, pois tanto o local quanto as pessoas não serão mais os mesmos daquele encontro.

 

A expressão Ichi-go-Ichi-e ensina que ambos protagonistas dos encontros devem aproveitar esses momentos em sua plenitude com respeito, interesse, emoção e sabedoria. Ao descobrir na expressão facial e nos gestos e ações das pessoas este significado, a relação com a fotografia foi imediata, pois na foto registramos um momento que influenciará nossas lembranças em um tempo futuro onde a magia do reencontro é fortalecida na emoção e memória de todos nós. Cada foto é também única e a energia Ichi-go-Ichi-e se fez presente desde então em todos os momentos que de minha vida e que compartilho com vocês e torna também este momento único e valioso para todos nós.



Segundo Rikyu, os princípios básicos do caminho do chá são:

1 -   Wa: Harmonia:

Resultado da interação do convidado e do anfitrião, da comida servida, dos utensílios utilizados e da natureza. Ser livre das pretensões, humilde para com os convidados, harmonia com a vida, responsável por criar uma atmosfera de paz ao redor de si. A interação com a natureza deve ser considerada como uma fonte de prazer, compreensão da efemeridade de coisas imutáveis, como as mudanças entre as estações do ano. Nunca se deve excluir, ignorar ou considerar inconveniente estes preceitos.

 

 

2 - Kei: Respeito:

Refere-se à sinceridade do coração, aberto para a capacidade de compreender e aceitar a tudo e a todos, mesmo sendo divergentes, aberto para um relacionamento com a natureza e o ser humano, compreendendo a dignidade de cada um. Ser humilde e respeitoso, incluindo com os utensílios utilizados durante a cerimônia, pois esta igualdade resulta em uma cerimônia memorável e bem sucedida. Tratar os utensílios mais simples com o mesmo cuidado e apreço que os mais caros, criando assim, um elo de harmonia entre os participantes, além de gerar um sentimento de gratidão. A hospitalidade do anfitrião, a cortesia dos convidados, assim como a manipulação cuidadosa dos utensílios exemplifica este respeito durante o “Chado”.

 

 

3 - Sei: Pureza:

A pureza estende-se às vestimentas, utensílios, jardins, etc, pois significa estar com o coração puro e aberto para sentir a harmonia e a sensação de paz e tranquilidade gerada na cerimônia. Quando o local de realização está organizado e limpo, a alma e o coração também estão sendo purificados, assim como utilizar roupas limpas, prevalecendo a pureza.

Antes de adentrarem no salão, deve-se enxaguar as mãos e lavar a boca em uma bacia de pedra, retirando e purificando-se da sujeira e negatividade do mundo exterior.

 

 

4 - Jaku: Tranquilidade:

Um dos principais objetivos a serem alcançados com esta prática, neste estágio, há um nível de desprendimento mais elevado, onde são colocados em prática os ideais de respeito, pureza e harmonia. Com o coração puro e iluminado, os participantes podem enfim, experimentar a total quietude e silêncio que o “Jaku” proporciona.

 

 

De acordo com o mestre do chá, Sem-no-Rikyu: “Um verdadeiro mestre aprende a ser dono do seu coração e não se deixa dominar por ele!

A Pessoa responsável por criar um ambiente agradável, através do rígido ritual e total participação, para que estes princípios sejam sentidos e vividos intensamente por todos, num momento único e irrepetível, se chama “Chajin (homem do chá)”.

 

O desenvolvimento da arquitetura, jardinagem paisagística, cerâmica e artes florais para a Cerimônia do Chá se mantêm até os dias atuais, bem como a apreciação do cômodo onde é realizada, o jardim a ele contíguo, os utensílios utilizados no servir o chá, a decoração do ambiente como um rolo suspenso ou um “chabana” (arrojo floral para a cerimônia do chá).

O espírito da Chanoyu, representando a beleza da simplicidade e da harmonia com a natureza, moldou a base dessas formas tradicionais da cultura japonesa e que são mantidos intactos por há mais de um milênio. 

 

Fonte : Urassenke e Wikipédia 

 

0 comentários:

Postar um comentário